
O mercado de câmbio encerrou esta quarta-feira (28/01) em um cenário de “duas velocidades”. Enquanto o índice DXY (que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes) registrou queda, refletindo a cautela dos investidores após a decisão do Federal Reserve, no Brasil a moeda americana operou com estabilidade, consolidando o movimento de queda visto no início da semana.
1. Cenário Global: O Dólar sob Pressão
Lá fora, o dólar perdeu terreno. O principal motivo foi a sinalização “neutra” de Jerome Powell, presidente do Fed, que manteve os juros americanos no intervalo de 3,50% a 3,75%.
- Índice DXY: Operou em queda, aproximando-se dos 96 pontos.
- Motivador: Com a interrupção no ciclo de cortes de juros nos EUA, o mercado agora calibra as apostas para o primeiro semestre, o que gerou um ajuste negativo na moeda americana frente ao Euro e à Libra.
2. No Brasil: Estabilidade e Novo Suporte
Após ter atingido o menor valor em 20 meses na véspera (R$ 5,18), o dólar comercial encerrou o dia de hoje praticamente estável, cotado a R$ 5,20 (leve alta de 0,24%).
Análise: A estabilidade frente ao real, mesmo com o dólar fraco no mundo, deve-se à expectativa em torno do comunicado do Copom. Como o Banco Central brasileiro manteve a taxa Selic em 15%, o diferencial de juros continua atraindo capital estrangeiro, o que impede uma alta expressiva da moeda americana por aqui.
3. O que moveu o câmbio hoje?
- Fluxo Estrangeiro: O recorde histórico do Ibovespa (que ultrapassou os 184 mil pontos) trouxe dólares para o país, aumentando a oferta e segurando a cotação.
- Declarações Políticas: No exterior, comentários da administração Trump sobre o desejo de um “dólar mais competitivo” (ou seja, mais fraco) também pesaram sobre a cotação global da moeda.
- Ouro Recorde: A busca por proteção levou o ouro a US$ 5.400, tirando um pouco do brilho do dólar como ativo de reserva imediata.
Perspectiva para amanhã
Com as decisões de juros já na mesa, o mercado deve focar na leitura minuciosa das atas e comunicados. Se o tom do Banco Central brasileiro for visto como “vigilante”, o real pode ganhar ainda mais força, testando novamente o suporte de R$ 5,15 nos próximos dias.
